Carta ao Governador do Estado do Rio de Janeiro
Assunto : Sobre a guerra na comunidade da Rocinha.

Vsa. Excelência com respeito a sua posição política e social.

Senhor Governador do Estado, aqui quem vos fala é apenas um jovem pastor. Sim, quero me apresentar como pastor.
Governador, antes de tudo quero lhe dizer que Deus é amor, Deus é apenas amor. Sendo amor ele se manifesta em paz, ou seja, pacificação, isso lembra algum projeto de segurança pública, “upp”, unidade de polícia pacificadora. Isso faz até lembra a frase de Jesus “Feliz são os pacificadores”. No entanto, não é isso que vemos na Rocinha senhor Governador, lá não há pacificação. Talvez, porque o projeto da upp não tem o seu cerne na paz e sim na guerra e na repressão, porque desde dos primórdios da ditadura militar é ensinado que qualquer cidadão pode ser um inimigo do estado e do governo, cabe então reprimir sempre.

Vs. Excelência, eu visito algumas comunidades pacificadas no estado, algumas tem uma “boa” repercussão entre os moradores quando o assunto é UPP, porém o que eu percebi que quando estive na comunidade do Vidigal, que a vila olímpica do Vidigal estava toda quebrada, sem luz e com os professores de esporte a 8 meses sem receber. Será que fuzis tanto da PM representada no estado e os Fuzis dos traficantes será sempre a bola e o lápis que nossas crianças e adolescentes irão ver? Apenas fuzis e nada mais? É isso mesmo senhor Governador?

Governador ao longo do tempo a guerra as drogas tem ceifados milhares de vidas, de policias, de moradores, de traficantes e de pessoas inocentes. Simplesmente pelo fato de usar o remédio errado, não se combate à droga com fuzil, estamos assim, porque deixou chegar ao extremo, esse extremo de forma proposital. Alguém lucra com isso, e lucra muito, vendendo armas e drogas. Governador, drogas se combate com saúde pública e não com segurança pública, fica a dica. Cadê as mídias que o senhor usou em sua campanha eleitoral? Então, use as mesmas para falar de saúde e drogas. Educação e prevenção ajuda bastante sabia? Mas, vocês usam as mídias para mostrar a guerra, com fim de esconder e maquiar “os maiorais das armas e das drogas”.

Governador Luiz Fernando Pezão, eu tenho apenas 30 anos de idade, um jovem. Eu sempre vi a presença do estado de uma forma muito grande nas comunidades, principalmente após a gestão de Sergio Cabral que adotou de forma mais forte a intervenção armada nas comunidades. Sim, é verdade o estado está lá, todavia com fuzil, está lá com Pistola, sim o Estado se encontra lá apreendendo armas e revendendo elas novamente para o tráfico de armas. Se prende a droga, e esse mesmo estado faz ela chegar lá de novo. É, esse ciclo é vicioso, de viciados em dinheiro e poder, matando milhares de pessoas todos os dias e assistem rindo de seus apartamentos e mansões luxuosas o extermínio da população negra, pobre e favelada. Sempre foi assim né Governador, os poderosos fazem e colocam na conta dos mais vulneráveis.

Governador, a “guerra” na rocinha já deveria não existir mais, nem lá, e nenhuma outra comunidade do Rio de Janeiro. Isso só irá acontecer se antes de mandar o exército começar a investigar como um fuzil do exército foi parar nas mãos de um adolescente de 12 anos? Se Perguntar porque no brasil não se produz cocaína e a garotada ensacando o pó? Porque chega o fuzil do exército e não chega escola e salários para os professores Governador? Porque o pó chega e saúde não? Porque a droga não atrasa na fronteira, mas o salários do professores nessas comunidades atrasam? Porque o estado ganha 1 milhão de reais por mês em apenas uma comunidade do Rio com tráfico de drogas? Porque a escola de Polícia não ensina ser pacificadora, mas repressora e punitiva? Porquê? Porquê?

Governador Luiz Fernando Pezão, concluo dizendo, que toda ação criminosa deve ser punida no rigor da Lei, o senhor como governador sabe que a Lei não existe para matar a lei existe para proteger e educar aqueles que não sabem o que é amor. Toda justiça sem amor é vingança, o estado não é um justiceiro, ele é um garantidor de direitos e protetor da dignidade humana. Vale lembrar sempre que a “punição” existe apenas porque não educamos antes.

Luiz Ricardo da Costa, Pastor e Teólogo 

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