Morte


Não há nada mais certo do que a certeza da morte. Morrer é tão universal que viver, como diz o biomédico Allan Sanches: “A morte é mais universal que a vida, todo mundo morre, mas nem todo mundo vive”. 



Falar e dialogar sobre tanatologia, isto é, o estudo da morte. É um assunto que nos remete a quase que um discurso sem fim. Cada cultura tem o seu ritual fúnebre, cada cultura tem o seu aspecto material, natural e espiritual para dar sentido a existência com a presença da morte. Uns acreditam em vida após a morte. Outros se contentam apenas com consolo que se encontra na trajetória das contingências do nascer, crescer, envelhecer e morrer, um ciclo natural em que a morte simplesmente faz parte dele. 

Além disso, tem aqueles que se consolam e vencem a dor da finitude com o acalento de um Campos Elísios (céu), ao se tornarem “filho de Deus” encaminham-se para lá. Ou vão para o Hades (inferno) , lugar inferior, por não ter se tornado um “filho de Deus”. Outros acreditam que vão a outra dimensão e depois retornam reencarnando para sua auto iluminação, outros creem que Ressuscitarão no último dia e viverão para sempre em novo céu e uma nova terra. Todas essas explicações e entre outras é somente uma tentativa do homem em querer dominar e desvendar os ministérios da existência e também uma continua esperança frente ao impacto da dor de perder e perder-se. 

Agora, a grande questão que mais me intriga não é se há vida após a morte é se existe vida antes da morte. Morte e vida são opostos necessários, não são opostos que se repelem, são opostos que se unem e viram uma coisa só. Existe vida na morte e existe morte na vida. Morte e vida são o equilíbrio da existência. Vida e morte são dilemas existências e subjetivos, que extrapolam o concreto, o tangível, o transitório e material. O que é material acaba com a terra, virá pó ou vira cinzas. 

Morrer não é um problema muito grande. Você já parou para pensar que as pessoas que você mais amou nesta vida ou que teve grande consideração e afeto, como se fazem presentes em sua vida depois que partiram. Elas se tornam mais vivas em nós do que quando estavam vivas, a presença depois que partem se torna muito maior. 

As pessoas tornam-se mais vivas e presentes em nós depois que partem. Mas, antes de partirem precisam estarem vivas em nossas vidas de maneira ativa. Depois que partem vivem ativas dentro nós. Vivem em cada gesto, em cada aprendizado, em cada dia festivo, em cada carinho deixado, em cada educação dada, em cada olhar, em cada cheiro e em cada sorriso. Morte muitas vezes nos aproxima de quem amamos. Aqui mora a união da vida e da morte. Eis, o consolo. 

Luiz Ricardo da Costa, Primavera de 2016.

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