Os maiores conflitos da vida.
“O ser humano deve desenvolver para todos os seus conflitos, um método que rejeite a vingança, a agressão e a retaliação. A base para esse tipo de método é o amor.” (Martin Luther King Jr.)
A história da humanidade é descrita por grandes conflitos que são narrados desde dos tempos mais remotos da nossa civilização e nos tempos até mesmo não civilizados. Conflitos constituem a nossa humanidade. Os conflitos podem ser pessoais, religiosos, organizacionais, étnicos, raciais, existenciais e etc. Quem é que hoje nesse dia, ou nesse momento não está enfrentando um momento conflituoso? Ser humano já é ser conflituoso. Somos o conflito em pessoa.
Quando estamos em meio a um conflito a primeira coisa que vem em nossa mente é: Como irei sair vencedor? Quem saíra derrotado desse conflito? Só que na vida, na real vida, na real existência, na zoe, os conflitos não são para alguém sair vencedor ou perdedor, nos conflitos não há vencedor e perdedor. Uma vez que a vida é feita de relações, se alguém te pergunta como vai a sua vida? Na verdade estão perguntando como vão as suas relações, como vão os seus relacionamentos? Porque viver é relacionar-se e relacionar-se é viver. Como vão os conflitos/relação com você mesmo, com o próximo, com o meio ambiente, com a sociedade e com o Eterno?
Como a vida são as relações então os conflitos sempre serão vistos e revistos, da mesma forma que o sol nasce e volta a nascer. Por isso que nos conflitos a pergunta correta não é: Como sairei vencedor desse conflito? Mas, a pergunta certa é: Como me relaciono dentro desse conflito? Como eu estou dentro desse conflito que venho enfrentando? Não há vencedores e nem perdedores, o que há são seres humanos que devem aprender do conflito e no conflito, o que há são seres humanos que não devem vencer o causador do conflito, devem vencer a si mesmos dentro do conflito.
Os maiores conflitos da vida se dá no campo das relações humanas, se dá talvez na sensação de ausência “de”, e de “tal”. Os maiores conflitos acontecem dentro de nós, todas as guerras que humanidade conseguiu causar não foram por um tanque de guerra e sim por palavras e ideologias de pensamentos.
Os maiores conflitos da vida são aqueles que se experimentam na ausência, quando nos ausentamos de nós mesmos, nos desencontramos de si mesmos e tentamos nos achar fora. Aqui começa os maiores conflitos, a falta, e, “a falta é a morte da esperança” (Nando reis). Com ausência nós experimentamos conflitos de sermos órfãos de pais vivos, de sermos viúvos de esposas vivas ou viúvas de esposos vivos. Vivermos a solidão a dois, ou ser só em meio a uma multidão e ser só dentro de si mesmo. De ser a própria riqueza, ou de se envergonhar de sua pobreza. De ser amigo como inimigo, de sorrir com os lábios e chorar com o coração. De pular com os pés, mais caído por dentro, dizer te amo com a boca, mas odiar com o coração. De se deitar ao lado e ser ausente. De estar perto e ser distante, de estar perto e não ser próximo. De chorar por fora, com medo de demonstrar a alegria que tem por dentro.
A amar nos ajuda a caminhar e enfrentar todos os nossos conflitos.
Qual é o seu? Eu não sei. Eu só sei dos meus.
Luiz Ricardo da Costa, Inverno de 2016.

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